sexta-feira, janeiro 19, 2007

Busca

Temos...
Tenho...
Tudo.
Quase tudo...
Somos felizes, inteiros...
Sólidos, amáveis...
Respeitáveis
?

Saúde... Ahh, saúde!
Física e mental...
Cérebros turbinados, trabalhando, trabalhando...
À todo vapor!
-Em frente! Sempre! Não negligenciam ao serviço
Pensam mais do que deviam.
Quem é “burro” sofre menos....
Não é isso?

Olhos que enxergam as coisas...
Vêem, miram pessoas, passam no tempo.
Vagam, perdidos, na escuridão de seu mundo... Tristes.
Acolhem imagens, as guardam e amam, as detestam... Compreendem.
Olhos diferentes...
Olhos meus...
Meus olhos.

Um coração... Estúpido coração...
Que pulsa, pulsa, que sente.
Sempre...
Velho amigo...
Sempre.

Amor! Mais do que é preciso...
Mais do que posso dar conta, do que posso suportar...
Não cabe, não dá, um oceano em uma banheira.
Infinito... Infinito!
Mas isso, já é besteira.

É isso...
Dentre mortos e feridos, todos se salvaram...
Todos voltaram às suas casas, para o beijo esperado e merecido...
Para o prato de sopa.
Tudo está bem... Sim, bem.
Reclamar... De quê?
O porquinho enganou ao lobo, o time ta ganhando... Perfeito!
O bolo cresceu!
O escravo escapou do açoite...

Pelo que, então, procuro?
Por que não durmo?
Oque procuro... nas noites?


L>K

sexta-feira, dezembro 22, 2006

O ébrio e a rosa.

Por um momento, não entendia o que se passava.
Por segundos, que pareceram uma eternidade.
Seu corpo dançava, cercado de calor e risadas
Sua alma planava e seus risos cortavam o ar pesado.

Tudo era simples, simples como um final de tarde
Felicidade... Era isso, o que no momento ele tinha.
Seus pensamentos, desconexos, à ele eram lúcidos
Seus sentimentos, dispersos, estavam focados.
Ele tinha se achado... E estava ali, perdido.

Em meio à tantas antíteses...
Ao redemoinho de sensações contrárias... À loucura reinante
Surge a rosa, triunfante...
E era óbvia, vermelha... E era bela.
E tudo, então, voltou-se à ela.
Ele a segurava... E nada mais importava.

Desejou possuí-la, desejou preenche-la.
Queria morar nela, estar em seu coração...
Pois ela era tão bela, perfeita, singela.
E complexa, como coisas assim normalmente o são.

O ébrio mordeu a rosa.
A rosa mordeu o ébrio.
Não sabia-se mais, quem mordeu quem.
Ele, agora, pertencia à ela...
E ela, era dele também.

Por segundos, que pareceram uma eternidade...
Divagou sobre a poesia das coisas, até que enfim...
A realidade atingiu-lhe a fronte, em um terremoto.
Olhou para a rosa, beijou-lhe a face, guardou-a em seu coração
E lembrou-se do copo.



L>K

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Éden?

Ela me disse para fugirmos...
Para um lugar, cujo nome não me lembro.
Era, então, fim de ano... Dezembro.
Mas me pareceu o começo, o inicio de tudo.
Sua voz preencheu meus ouvidos, inundou minha alma...
Com tanta beleza, que em mim não cabia.
E com tal franqueza, as coisas me dizia...
Que ali, rendido, só me restava fazer o que fiz...
Escutei-a, embevecido.

-Vamos fugir, vamos juntos pra lá...
É um lugar quente, mas úmido, fresco... Perfeito.
Não terás tempo de sentir saudades do sol, pois ali é sua morada.
É lá sua casa... E o verás até enquanto dormes.
Não farás isso muito, pois a noite é mágica e dormir tem seu preço...
Com os olhos abertos, verás a chegada de milhões de fadas, sob a lua.
Borboletas brilhantes, diamantes alados, sim, é isso que pensarás de início pois assim aprendeste a pensar.
Até que a poesia vá viver em sua alma e possas ver a verdade.
A única e simples verdade, desde o princípio.

Sentirás um pouco de tristeza...
Por perceber o vício em uma alma crua, de anseios banais.
Enfim, terás liberdade... Por saber que já não a possui mais.

Lá, os pássaros são numerosos, incontáveis, infinitos.
E tão coloridos, de cores que já não nos lembramos que existem.
Entram por nossos olhos, pra morrerem no coração, viram parte de ti.
E cantam, cantam... E nunca ficarás triste.
Residem em ti... São tuas asas, e se tornarão sua própria voz.
Durante dias, meses, durante anos e anos...
Eternamente... não há o que ponderar...
Vamos?

Soube, sabia o tempo inteiro que nunca iríamos, era impossível...
Mas foram estas, as palavras mais doces, que eu jamais tinha ouvido.


L>K

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Tente fazer assim.

Que tudo aconteça, em seu tempo.
Sem pressa, revolta, sem frustração.
Que o amor se torne o alimento.
Que sustente, que preencha o coração.
Que todo mal seja apenas brisa.
Que, se esforçando, não carregue uma folha.
Esta, é o menor ato de carinho.
Fruto abundante, não faltará quem o colha.
Que as pessoas se abracem, se saúdem nas ruas.
Que se conheçam, que sorriam de graça.
Amem-se, absurda e incondicionalmente.
Lembrem-se que a vida é curta, que a vida passa.
Sim, temos prazo de validade.
Temos tempo, indeterminado, é verdade.
Morreremos um dia? Certeza!
Amaremos um dia? Quem sabe?
Veja o belo que existe.
Esqueça, o que um dia lhe magoou.
Não há tempo para chorar o que é triste...
Só há tempo para amar... Meu amor.
Os segundos caem, um após o outro, incessantemente.
Nessa contagem regressiva onipresente.
Morreremos um dia? Certeza...
Amaremos um dia?
Certeza!
Tente...

L>K

quinta-feira, novembro 16, 2006

Fúria.

Por quê? Por quê? Por quê! Dá vontade de gritar.
À plenos pulmões, todos querem saber.
Por que estragamos tudo?Somos humanos...é isso! Imperfeitos.
Contudo...Por quê?
Não satisfaz.
Ser “feliz” é pouco. Louco? Talvez...
Mas entendem o que quero dizer.
Entendem... devem entender.
Pois, vejam, que passamos dos limites, sequer os temos.
Ferimos à quem amamos, assassinamos o amor.
Inexplicável vontade de viver que nos aproxima da morte.
Por vezes a encaramos, e só se pode sorrir de volta.
Fugir de seu abraço, apertar o passo, voar.
Sabendo que ela, são as próprias asas, que um dia irão faltar.
Não há o que explicar. Não quero explicação.
Passível, imbuída de manipulação.
Pois mentimos, nos enganamos conscientemente.
Um propósito... Quero uma razão!
Quero saber por que...simplesmente.
É isso não é??
Em vcs... e em mim...
Simplesmente.

Por quê?
FÚRIA!
Por que...
...a fúria, por vezes, não cabe em nós?

L>K

sábado, novembro 04, 2006

???????????

Decido, abraçado à minha insônia, resoluto... -Vou escrever algo!
Alguma coisa, partindo do nada.
Sem rumo, prosa, sem compromisso ou vida...
Instintivas, empíricas palavras.

Uma, então, toma meu pensamento, instala-se em minha cabeça...
Me pega pela garganta, aperta, sufoca.
Palavra pequena, de força notável, tem toda minha atenção.
Agressiva, me encara e lança:
-Decifra-me, ou o matarei... Sabes que o farei...
Sei!

Enfrento-a...
Afinal, não a conheço tão bem?
Povoas meus sonhos, resides aqui, milhões, infinitas vezes a pronunciei.
Meus lábios conhecem teus caminhos, e os trilham sozinhos, inerente à mim.
Não a temo.
Respeito...
... E a amo... Sim!

Isto posto, me alegro e prometo...
À mim mesmo, espantar a tristeza, que consome.
A palavra, sei que já sabes, tão óbvio, é teu nome...
Que aqui, agora, não citarei.
......? ...........?


L>K

À insônia.

Sob o barulho da água, sob a mira de três pares de olhos
Procuro o sono, que à mim é estranho...
O descanso, fuga , o descaso com que penso.
Que sonhar contigo não é bom, mas é o que tenho, me adoecem.

Me fitam os olhos, inquietos, pois deles sou dono.
Os alimento e mantenho, soberano, sou deus...
Apenas eu, é o que sou...
Um homem cansado, de muitas coisas, que não pode
ou não quer...
dormir.

Palavras confortam a mente, afagam à alma
Atenuam a tristeza intrínseca.
Por isso as coloco, as jogo no mundo, órfãs.
As amo, como a muito não o faço, pois nada mais é o mesmo.
Já não sei o que é amar... não sei se um dia soube.
Não sei...
Durmo.

L>K